5 de agosto: Dia Nacional da Saúde

Hoje, 5 de agosto, comemora-se o “Dia Nacional da Saúde”. Uma data que, em princípio, foi criada para celebrar a saúde em todos os níveis e as ações em defesa do bem-estar da população.

Entretanto, o que deparamos no país é com deficiências e falta de investimentos no sistema público e privado, gerando caos e desestruturação na assistência à saúde da população.

O Sinmed-MG, como entidade que luta não apenas pela qualidade do trabalho médico, mas pela melhoria do sistema de saúde para a população brasileira reitera seu protesto contra estas mazelas em todo o estado e no país.

Com a anunciada redução de R$ 5,5 bilhões no orçamento para o Ministério da Saúde neste ano, a previsão é que continuará havendo cortes de todas as ordens. Mas em contrapartida, o país investe nas Olimpíadas uma cifra de quase R$ 30 bilhões; o que parece contraditório já que esse valor deveria canalizado em melhorias no sistema de saúde.

No outro lado da saúde, o levantamento do CFM mostra que em 70% dos estados brasileiros não há o número de leitos de UTI preconizado pelo Ministério da Saúde para garantir o bom atendimento da população. Segundo a portaria ministerial nº 1.101/2002, deve existir de 2,5 a 3 leitos hospitalares por cada 1 mil habitantes. Já a oferta necessária de leitos de UTI deve ficar entre 4% e 10% do total de leitos hospitalares, o que corresponde a um índice de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes.

Em Minas Gerais, só de valores empenhados para o setor de saúde que não foram executados (mas efetivamente gastos), ou seja, os restos a pagar, atingiram no ano de 2014 para 2015, a cifra de R$ 3,8 bilhões. De 2015 para 2016, passou para R$ 5,7 bilhões.

E enquanto isso, o povo continua sofrendo com longas filas de espera nas unidades de saúde, demora para realização de exames e consultas especializadas, além da falta de leitos nos hospitais.

Diante deste quadro, o Sinmed-MG busca constamente espaço na mídia e na sociedade para mostrar as mazelas na saúde, além de oficializar denúncias ao Ministério Público, realizar reuniões com Promotoria de Saúde e Comissão de Saúde do estado e municípios.

Denúncias recebidas no Sinmed-MG mostram o caos

Diariamente, o sindicato recebe denúncias de profissionais relatando falta de materiais básicos, unidades de saúde insuficientes para atender a demanda, redução no quadro de profissionais e superlotação.

Além de oficializar as denúncias ao Ministério Público, o Sinmed-MG tem buscado espaço na mídia e na sociedade para mostrar todas essas mazelas na saúde, pois afetam não apenas os pacientes, mas também os profissionais médicos que estão sobrecarregados e desestimulados a trabalhar.

Em Belo Horizonte, o Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro é um exemplo de má administração já que está ocioso por falta de recursos e apenas um dos doze andares do edifício está em funcionamento, o que corresponde a apenas 10% de sua capacidade. Enquanto isso, pacientes continuam esperando atendimento por mais de 5 horas nas UPAs e quando conseguem, ficam acomodadas no chão, sem conforto pois não há leitos suficientes.

O Centro Materno Infantil de Contagem, recentemente inaugurado, já é objeto de denúncias com relatos de falta de materiais, equipes desfalcadas, espaço físico subutilizados e demanda maior que o número de leitos disponíveis na unidade neonatal.

Já em Sete Lagoas, a maternidade do Hospital Nossa Senhora das Graças corre o risco de fechamento por falta de recursos. A unidade, que é a única com serviços de alta complexidade cardiológica, maternidade e UTI neonatal pelo SUS, atende pacientes de aproximadamente 35 municípios vizinhos e acumula um déficit de R$6,5 milhões e dívidas com fornecedores em torno de R$ 10 milhões.

Uberlândia, localizado no Triângulo Mineiro, também vive um drama na saúde. Atualmente, há um déficit de 300 profissionais na saúde, entre eles médicos, e em razão disso, duas Unidades de Atenção Primaria à Saúde da Família (UAPSF), uma no bairro Morumbi e outra no bairro Custódio Pereira, ambas na zona leste, foram descredenciadas no final de julho.

No Dia Nacional da Saúde, o Sinmed-MG conclama a sociedade a unir forças na defesa de melhorias na saúde, seja na esfera estadual, municipal e federal. Não se pode cruzar os braços diante deste quadro de caos.

Somos contrários à falta de estrutura dos municípios mineiros que, sem equipamentos e unidades de saúde, fazem pacientes se deslocarem dessas cidades para a capital mineira, a fim de conseguirem assistência. O sindicato não concorda com a falta de investimentos na saúde e o descaso de gestores com as queixas e relatos de profissionais e população usuária do SUS.

Enquanto entidade representativa dos médicos e de apoio à sociedade, o Sinmed-MG destaca sua indignação com a falência da saúde pública e vai continuar come a força e mobilização ncessárias para propor mudanças no país e em toda Minas Gerais.

Rosângela F. Costa- MTB 11320/MG