Sindicato participa de evento no CRM para discutir avaliação e sistema de acreditação das escolas médicas

O diretor de Relações com Acadêmicos do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), César Miranda dos Santos, participou da mesa de abertura do Pré-Fórum de Avaliação do Estudante de Medicina, realizado dia 10 de junho, no auditório do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais. Inédito em Minas, o evento foi promovido pelo CRMMG, ABEM-MG (Associação Brasileira de Educação Médica) e Denem-MG atraindo grande público de acadêmicos, coordenadores de escolas e educadores para discutir tanto os sistemas de avaliação dos estudantes como das escolas médicas.

Ao abrir o Fórum, o presidente do CRMMG, Fábio de Castro Guerra, falou da importância de trabalhar a questão do acadêmico de medicina e da avaliação: "Com a abertura de forma descabível de escolas médicas, já começamos a enfrentar a questão da qualificação profissional, da formação. Qual médico nós vamos ter para atender a população? Então, eu entendo que essa é uma questão social, uma discussão que é de todos nós e uma responsabilidade das entidades médicas aqui representadas”.

César Miranda dos Santos, representante do Sinmed-MG, cumprimentou a mesa na pessoa do dr. Alcino Lazaro da Silva, proeminente cirurgião mineiro também presente ao evento. Reforçando a questão do aumento indiscriminado do número de escolas médicas, lembrou que, em 2000, o Brasil tinha 100 escolas; em 2011, 196 escolas; em 2014, 224 escolas; e, hoje, 268 escolas. Com cerca de 200 milhões de habitantes, o país é o segundo do mundo em número de escolas médicas, abaixo apenas da Índia, com 381 escolas e 1.3 bilhão de habitantes.

“Entendo que devemos questionar a autorização indiscriminada de criação de escolas de medicina pelo Ministério da Educação. A consequência é uma qualidade, no mínimo, questionável do nível de ensino oferecido nessas faculdades”, avaliou.

Elogiando a iniciativa do CRM e a oportunidade do sindicato estar presente na relevante discussão, César Miranda concluiu ser “imprescindível a criação de instrumentos que possibilitem a construção de uma visão crítica sobre a qualidade da formação médica no Brasil. Instrumentos que tenham uma adequada participação das escolas médicas, das entidades profissionais e da sociedade. Entendo que o Sistema de Acreditação das Escolas de Medicina no Brasil (SAEME), enquanto proposição do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), será muito profícuo nesse sentido”.

 

Temas: avaliação dos estudantes e acreditação das escolas

O evento abordou dois eixos centrais: a avaliação seriada do estudante de medicina e o Sistema de Acreditação das Escolas de Medicina no Brasil (SAEME).

A mesa sobre a Avaliação Seriada foi presidida pelo conselheiro Victor Hugo de Melo, coordenador da Comissão de Integração com Faculdades de Medicina e Residências Médicas do CRMMG: “Sabemos que a avaliação é uma tarefa difícil, e ao mesmo tempo, muito importante se pensarmos em implementar a qualidade da formação médica , tendo em vista a imensa responsabilidade de todos nós quando os egressos das escolas médicas iniciam sua atividade profissional”, reforçou.

Foram abordados aspectos como avaliação de competências. teste de progresso e consequências da avaliação. Ficou claro nas colocações que o estudante não pode “pagar o pato” pelo mau ensino das escolas e tudo o que vem acontecendo na formação médica. De qualquer forma, a avaliação seriada foi considerada um instrumento pelo menos mais justo do que uma avaliação ao final do curso: “A vítima não pode ser o formando. Se tem alguma coisa que precisa melhorar são as escolas e não os alunos”, disseram os representantes dos acadêmicos.

O bloco presidido pelo presidente do CRMMG, Fábio de Castro Guerra, discutiu o Sistema de Acreditação das Escolas Médicas (SAEME). Foram abordados os temas “Proposição e Expectativas”, por Mauro Luiz de Britto Ribeiro, primeiro vice-presidente do CFM, e “Instrumentos e Avaliação e Metodologia”, por Carlos Rodrigues da Silva Filho, da FAMEMA.

O conselheiro Mauro iniciou falando que a ideia não é “torcer contra as escolas que já estão aí”, lembrando que o CFM não tem poder para abrir ou fechar escolas, mas contribuir para qualificar a melhoria do ensino oferecido por essas instituições. “Essa á motivação do SAEME”, afirmou.

Disse que é um projeto caro, que está sendo “bancado pelo CFM”, porque, em última instância, ao capacitar melhor o médico, é a sociedade que vai ser recompensada. Segundo ele, o sistema de acreditação tomou como referência vários modelos de sucesso adotados no mundo, sendo criado um protocolo prático bem consistente para avaliação das escolas médicas no Brasil.

Explicou que o sistema não “ranqueia” escolas: “A escola que não for acreditada saberá quais são os pontos que precisam ser melhorados, para que possa oferecer aos seus alunos um bom ensino.

Mauro Britto Informou que a ideia era abrir o projeto com 10 escolas, mas 31 se inscreveram – sendo 13 particulares e as outras federais. Avaliou: “A escola não tem obrigação de ser acreditada, mas ela se inscreve porque sabe que daqui há alguns anos se não tiver esse aval de qualidade poderá ter problemas, como aconteceu nos Estados Unidos”.

Em seguida, Carlos Rodrigues da Silva Filho, membro da Comissão de Acreditação, deu uma visão geral sobre os instrumentos de avaliação e metodogia do SAEME. Explicou que são avaliados cinco eixos - gestão educacional, programa educacional, dimensão docente, dimensão discente e infraestrutura da instituição.

Fez interessante exposição sobre toda a trajetória até a criação do Sistema, em 2014. Segundo ele, passada a fase piloto, o projeto começou a ser implantado no final do ano passado e são previstos três anos até a implantação completa.

Destacou alguns diferenciais importantes do projeto: a participação das escolas é voluntária; não é um sistema classificatório, sendo focado na autoavaliação e validado por uma equipe de avaliação externa; o SAEME não está vinculado a nenhum órgão público ou esfera de governo, sendo totalmente independente nesse sentido; a comissão de avaliação é formada por médicos e não médicos, com especial presença de estudantes.

Finalizou que o projeto em si era muito mais do que “acreditar ou não uma escola” – “ o que propomos é a capacitação progressiva daquela organização para que um dia venha ser acreditada, seguindo as diretrizes da federação mundial de educação médica. Com o tempo esperamos que passe a ser fundamental que um curso, para ser socialmente reconhecido, tenha esse acreditação, quando demonstrar que possui os requisitos necessários para o mérito. É essa credibilidade que queremos conquistar com o SAEME”.

 

Regina Perillo