Na Grande BH, 72% da população depende do SUS

Apenas três em cada dez moradores da região metropolitana de Belo Horizonte contam com a cobertura dos planos de saúde. O dado integra a mais recente Pesquisa por Amostra de Domicílios de Minas, divulgada na última semana pela Fundação João Pinheiro.

O estudo é baseado em dados recolhidos em 2011 e confirma uma realidade que os usuários dos postos de saúde conhecem bem: a sobrecarga de atendimento na rede pública pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Cerca de 72% da população é usuária exclusiva do SUS e ainda precisa enfrentar longas filas na hora de buscar atendimento médico.

A dependência do SUS é maior entre crianças e adolescentes de 0 a 14 anos,. Nessa faixa etátia, só 18% utilizam a rede particular. Os idosos são os que se mostram mais preocupados com a qualidade das consultas – 26,2% são assegurados pelos planos privados. Para a coordenação do estudo, isso reflete a maior demanda de serviços médicos nessa fase da vida.

Mas se engana quem pensa que os usuários de planos privados estão mais bem servidos. Só nos primeiros seis meses deste ano, o Procon Municipal registrou 274 reclamações referentes a problemas com as operadoras na capital. No mesmo período do ano passado, foram 314.

“A maior parte das queixas diz respeito a procedimentos não autorizados pelos planos de saúde. Esses números podem ser maiores, já que, geralmente, as pessoas chegam até nós em busca de orientação e depois acabam procurando a Justiça”, afirma a coordenadora do órgão, Maria Laura dos Santos. No último mês, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) suspendeu a comercialização de 268 planos de saúde de 37 operadoras por não terem cumprido os prazos mínimos de atendimento.

Ainda segundo a pesquisa da Fundação João Pinheiro, a cobertura das operadoras é desigual no Estado. As regiões do Vale do Jequitinhonha e o Norte de Minas têm as piores taxas de adesão aos planos, com 6% e 8%, respectivamente.