Maternidade Odete Valadares à beira do caos: plantão de obstetrícia do dia 27 de fevereiro funciona com apenas um obstetra

A Maternidade Odete Valadares ( MOV) vive mais um momento de caos: no dia 27 de fevereiro, hoje, a unidade da Fundação Hospitalar de Minas Gerais ( FHEMIG) conta com apenas 1 obstetra de plantão para atender todda a demanda.

O absurdo está sendo denunciado pelo Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, após relatos dos próprios médicos que trabalham na Maternidade. A situação, cada vez mais grave, está comprometendo o atendimento às gestantes e diante da falta de médicos e do descaso dos gestores em resolver a situação, a MOV está ameaçada de fechar as portas. Para o mês de março/2011, aproximadamente 25 plantões estarão descobertos, ou seja, sem número mínimo de médicos para atender a demanda.

Há quase um ano, a Maternidade está funcionando com equipes incompletas e por isso muitos pediatras, obstetras e anestesiologistas estão fazendo plantões extras e cobrindo os "buracos" nas escalas de plantão. Além disso, a falta de condições adequadas de trabalho está desestimulando os médicos a trabalharem na Unidade: no início deste ano, 2 obstetras pediram demissão e outros 3 estão ameaçando abandonar a instituição.

Neste período, várias foram as tentativas de negociações do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) para mudar esta situação caótica e desesperadora. Desde o primeiro semestre de 2011, foram realizadas seis assembleias e várias reuniões entre médicos, diretoria do sindicato e Fhemig e até agora, nenhuma proposta concreta foi apresentada pelos gestores. Além disso, vários ofícios foram encaminhados pelo Sinmed-MG, pedindo uma posição em caráter de urgência, antes que a maternidade feche as portas.

"A tentativa de amenizar os problemas está se arrastando há meses e os médicos já não aguentam mais a sobrecarga e pressão para atender a alta demanda. Com isso, quem fica prejudicada é a população que vai ao hospital e não tem médico para atender", destaca o presidente do Sinmed-MG, Cristiano da Matta Machado.

O sindicato lamenta profundamente a postura dos gestores em não atender as reivindicações e comunica que vai continuar lutando em defesa dos médicos. Esta situação caótica na MOV precisa ser solucionada: não adianta apenas promessas, é preciso efetivamente ampliar as escalas de médicos e melhorar as condições de trabalho da Unidade que é referência em obstetricia no Estado.

 

Registro no Livro de Ocorrências mostra as mazelas na MOV

Há quase dois anos, o Sinmed-MG mantém livros de ocorrências no hospital a fim de que os profissionais possam preencher com relatos das dificuldades e adversidades enfrentadas no dia-a-dia da maternidade.

Segue abaixo alguns relatos, mostrando a situação dramática dos médicos da MOV:

"Assumo o plantão noturno sozinha, estando responsável pela unidade intermediária 1 (10 pacientes), unidade intermediária 2(17 pacientes), alojamento conjunto ( 20 recém-nascido), Ala B (3 recém-nascidos) pré-parto ( 2 recém nascidos)...."

"Estamos cancelando cirurgias no bloco cirúrgico, principalmente as 4as feiras devido equipe de obstetras incompletas repetidamente e, portanto, preceptores de cirurgia estão sendo realocados para o plantão obstétrico. Com isso, um de nossos preceptores pediu exoneração na 2ª feira".

"Houve falta de ar comprimido em toda a maternidade. Os recém-nascidos tivram que utilizar oxigêncio puro colocando em risco a qualidade da assistência prestada a esses pacientes".

"...Finalizo este relatório, enfatizando que o plantão foi desumano, sendo necessário trabalhar 12 horas de plantão sem descanso. Acredito que para uma boa assistência aos pacientes, o profissional necessita de melhores condições de trabalho"- Dez 2010.
"Plantão obstétrico desfalcado a partir de 13 hs. Apenas 1 anestesista de plantão. Estamos recebendo várias pacientes para indução de parto e cesariana eletiva que têm como referência outros serviços..."

 

 

Rosângela Costa