Desigualdade: levantamento do Ipea mapeia ações do governo

O crescimento econômico registrado nos últimos anos não foi suficiente para diminuir as desigualdades sociais no país. Estudo divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) quantificou o problema. De acordo com a pesquisa "Presença do Estado no Brasil", o Norte e o Nordeste têm menos profissionais de saúde qualificados e menos médicos por mil habitantes que a média brasileira, que é de 3,1. No Norte, esse número é de 1,9, e no Nordeste, de 2,4, enquanto o Sul e o Sudeste têm igualmente 3,7 médicos por mil habitantes.


Na análise dos números de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) disponíveis para internação, o desfavorecimento das regiões menos desenvolvidas do país também se evidencia. O Sudeste tem 39% dos leitos, e o Sul tem 16%, enquanto o Norte tem 7,4%. O Nordeste aparece com 30% dos leitos disponíveis para internação e o Centro-Oeste, com apenas 8%.


Somente o Estado de São Paulo tem 18% do total de leitos de internação na rede pública do país.
"A intenção do Estado na saúde não é proporcional à população e tampouco onde há casos de mais incidência de doenças. O Maranhão tem 1,3 médico que atende ao SUS por mil habitantes, e o Rio Grande do Sul tem 4,1. Será que o Rio Grande do Sul tem mais problemas de saúde que o Maranhão que justifiquem essa desproporção?", pergunta o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.


O estudo constatou que, no que se refere à taxa de frequência de crianças e jovens no ensino fundamental e ao ensino médio, as desigualdades entre os entes federativos ainda são grandes. Rondônia é o Estado que aparece com pior índice de frequência de jovens de 15 a 17 anos no ensino médio, com 31,6%. Já no Distrito Federal, a taxa é bem maior, chegando a 68,8%.


Também há diferenças no nível de qualificação dos professores pelo Brasil. Segundo Pochmann, enquanto no Norte 51% dos professores de Ensino Fundamental têm formação superior, no Sul esse percentual é de 82%. "É inadmissível termos diferenças tão grandes da educação nos Estados. A universalização no ensino médio, por exemplo, está muito longe de acontecer no Brasil. Com esse desempenho, o acesso do Brasil à sociedade do conhecimento fica mais difícil", diz.