Recorde de doação de órgão em MG

Lívio Barbosa

O número de transplantes realizados em Minas no primeiro semestre de 2008 é o maior registrado desde a criação do MG Transplantes, há 17 anos.

teste

A entidade comemora os números, mas admite que ainda é preciso diminuir a enorme fila de espera pela busca de um órgão e também convencer a população da importância de ser um doador e avisar a família da vontade de ajudar a quem precisa.

Segundo o diretor do MG Transplantes, Charles Simão, o primeiro semestre de 2008 é o melhor de toda a história da entidade. Levantamento feito até o final de junho mostrou que pelo menos 1.000 pessoas haviam sido transplantadas - uma média de oito cirurgias para cada 1 milhão de habitantes. A média do ano passado foi de 5,7 por cada milhão.

No entanto, 4.200 pessoas em Minas esperam na fila por um transplante. A doação de córneas ainda é a mais freqüente, sendo preciso aumentar e muito as doações de múltiplos órgãos.

"Acreditamos fechar o ano com a melhor média. A meta inicial era transplantar 3,7 pacientes a cada grupo de um milhão. Afirmar um aumento no número de doações e transplantes é arriscado. Se nada der errado e as famílias continuarem doando, a tendência é melhorar", disse Simão.

Esperança

Essa é a expectativa do professor Universitário Jader dos Reis Sampaio, 43. Ele sofre de uma doença progressiva chamada glomerulopatia, que afeta a parte interna do rim e não permite a filtragem do sangue. O professor faz hemodiálise desde 2005 e há dois anos e quatro meses está na fila do MG Transplantes à espera por um rim.

Atualmente a capacidade de filtragem de seu rim é de 1% e ele precisa fazer 12h de tratamento por semana, o que aumenta o risco de ter doenças no coração. A capacidade renal mínima para eliminar a hemodiálise é 16% de filtragem.

"Vou comprar um binóculo para tentar ver o começo da fila. Não conseguimos acompanhar o andamento da fila pela site do MG Transplantes e precisamos de mais campanhas para esclarecer a seriedade do processo de captação dos órgãos", desabafa Sampaio.
 
Fonte: Jornal O Tempo 09/07/2008