HPS muda atendimento e adota sistema de cores para classificar doente

Bianca Melo

Começou a operar no maior hospital de traumas de Minas Gerais o sistema de classificação de risco com identificação da gravidade do caso por meio de cores. Uma pulseira no braço do paciente nas tonalidades vermelha, laranja, amarela, verde ou azul vai determinar o tempo de atendimento, que vai variar de imediato a quatro horas de espera.

Segundo o diretor-geral do hospital, Antônio Carlos Barros Martins, dos 450 atendimentos diários do hospital, pelo menos 200 (ou 44,5%) poderiam ser feitos em outros centros médicos da capital, principalmente postos de saúde e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). São situações enquadradas nas cores verde e azul na classificação, chamada Protocolo de Manchester e já adotada em países da União Européia.

Espera

Os azuis, classificados como casos simples, como pé inchado sem complicações e amigdalite, que eram atendidos em menos de três horas, poderão esperar agora até quatro. O tempo de espera dos verdes (torção com dor leve, por exemplo) será de até duas horas, praticamente o que era adotado. Os vermelhos, pessoas com risco de morte, permanecem com prioridade máxima, sem espera. Os muito urgentes, como quadro de pré-infarto (pulseira laranja), têm tolerância de 10 minutos e os urgentes, aí incluída cólica renal, por exemplo, ganham ficha amarela, o que significa atendidos em até uma hora.

Em Belo Horizonte, o Hospital Odilon Behrens e o Risoleta Neves receberão o mesmo sistema em agosto, informou o coordenador estadual de Urgência e Emergência, Welfane Cordeiro Júnior. “Depois serão outros da capital e em mais cidades para prepará-los e garantir que as pessoas terão garantia de atendimento no lugar certo”, diz o coordenador.

Por enquanto, a cor será anotada em fichas mas, em até 40 dias, serão adotadas as pulseiras coloridas e os código de barras, informatizados. Com a organização do sistema, os atendimentos imediato, urgente e muito urgente terão alas específicas, outra medida para reduzir o tempo dos procedimentos.

As Unidades de Pronto-Atendimento (Upas) da capital e o hospital Odilon Behrens utilizam classificação parecida, mas segundo o coordenador estadual de Urgência e Emergência, Welfane Cordeiro Júnior, o João XXII é o primeiro no estado a adotar o Protocolo de Manchester. Em até 40 dias, o hospital deve estrear também um novo software de gestão hospitalar para controle informatizado da ficha e de todos os procedimentos feitos por todos os pacientes.

As mudanças são parte das obras de reestruturação e modernização do hospital, iniciadas há dois anos e com previsão de término no ano que vem. O João XXIII é referência estadual no atendimento ao politraumatizado e tem muita demanda por cirurgias de alta complexidade e especialidades, como neurocirurgia, traumato-ortopedia, toxicologia e atenção aos queimados.

SELEÇÃO

 

Cor

Situação

Tempo de espera

Vermelho

Risco de morte

Zero

Laranja

Muito urgente

Até 10 minutos

Amarelo

Urgente

Até 1 hora

Verde

Leves

Até 2 horas

Azul

Casos simples

Até 4 horas

Fonte: Jornal Estado de Minas - 08/07/2008