Aumento do número de cesarianas é entrave para amamentação na primeira hora de vida

Renata Mariz

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a primeira amamentação aconteça na primeira hora após o nascimento. Devido à quantidade de anticorpos presentes no leite materno nesse período, a prática ajudaria a salvar 7 mil bebês a cada ano no país. No entanto, apenas 43% das mulheres no Brasil seguem a recomendação, de acordo com pesquisa do Ministério da Saúde.

O aumento do número de cesarianas, aliado à falta de informação dos profissionais de saúde, dificulta o acesso rápido da criança a esse alimento. Os partos cirúrgicos representam 44% do total nos hospitais públicos. Nas instituições particulares, esse índice sobe para cerca de 80%. Nesses casos, de acordo com a especialista em nutrição infantil Lélia Gouvêa, é mais difícil colocar a criança para mamar. “O bebê, dependendo do tipo do anestésico usado, pode ficar mais sonolento e ter dificuldade em sugar”, explica. Além de mais imunes, crianças que são amamentadas nesses primeiros sessenta minutos choram menos, começam a lactação efetiva mais rapidamente e, portanto, perdem menos peso, de acordo com a especialista.

Os melhores índices de amamentação imediata após o parto estão nas regiões Norte e Nordeste. Segundo Lílian Cordova, técnica da área de aleitamento do Ministério da Saúde, o dado tem a ver com a quantidade de Hospitais Amigos da Criança nesses locais – um dos passos para receber o título é estimular essa prática. O aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses da criança, também é recomendado pela OMS. No Brasil, até os três primeiros meses, só 45% das crianças são alimentadas apenas com o leite.

Fonte: Correio Braziliense (DF) - 15/07/2008