Especialistas divergem sobre idéia de aumentar preço do cigarro para combater vício

Lourenço Canuto   Uma idéia em estudo na área de saúde é aumentar o preço dos cigarros mais baratos para R$ 5,00, como forma de inibir o consumo, especialmente entre as pessoas mais pobres que, muitas vezes, deixam de comprar gêneros essenciais para custear a dependência.   A informação foi dada pelo gerente do setor de Prevenção do Câncer da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, médico Celso Rodrigues, durante campanha realizada no último sábado. O evento faz parte da programação do Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto. A tese, porém, não é apoiada pelo psicólogo José Fiúza, diretor de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Brasília.   Celso Rodrigues, que esteve à frente da promoção, sugere que o governo estimule os agricultores que plantam fumo a dar lugar a outras culturas, de forma a enfraquecer o potencial da indústria de cigarros.   José Fiúza não acredita que aumentar o preço do cigarro reduziria o consumo porque, nesse caso, segundo ele, o fumante procuraria marcas mais fortes ou até usaria cigarro de palha ou fumo de saquinho, para ficar mais barato, com os mesmos prejuízos à saúde. Ele entende que a idéia pode ser "um artifício para arrecadar mais impostos".   José Fiúza argumenta que não há política do governo na área do tratamento de dependência química - que envolve também o uso de drogas - que vá do começo ao fim, por isso as soluções ficam difíceis. Quanto ao usuário, o psicólogo considera que é importante a vontade de uma pessoa para que ela consiga deixar um vício.   O segundo ponto, de acordo com ele, deve partir das campanhas de saúde pública e envolver uma estratégia para o combate da dependência. Em terceiro lugar, Fiúza destaca a participação da família como fator preponderante na recuperação.   Fonte: Agência Brasil - 30/08/2008