PUC BETIM: Sinmed-MG participa de painel sobre mercado de trabalho em seminário para acadêmicos de Medicina

Qual o futuro da profissão? O que os acadêmicos podem esperar do mercado de trabalho? Quais as formas de trabalho hoje vigentes? SUS ou saúde suplementar? Como escolher o melhor caminho?

Essas e outras questões foram o tema do seminário “Mercado de trabalho médico – possibilidades e condições de inserção do médico recém-formado”. Realizado pela Faculdade de Medicina da PUC Betim, o evento teve como público alvo os alunos do 9º. 11º e 12º períodos.

Sempre buscando orientar os futuros médicos, o Sinmed-MG participou do painel “Mercado de trabalho médico em Minas Gerais – situação atual e perspectivas frente à nova legislação trabalhista, sindical e reforma da Previdência”, dia 25 de abril, no auditório da Prefeitura do município.

Representaram a entidade, a diretora Jurídica Institucional, Andréa Donato, e o advogado Cristiano Pedrosa, especialista em Direito e Processo do Trabalho. O painel foi coordenado pelo professor Gilberto Antônio Reis, do departamento de Medicina da PUC Minas.

Ao apresentar os convidados, o professor Gilberto valorizou o sindicato, recordando o papel fundamental da instituição nas lutas da categoria, desde a época do movimento “Renovação Médica”, nos anos 80: “A ação de um grupo de médicos em Minas na defesa do sindicato e da democracia, tendo à frente o médico Célio de Castro, foi tão importante que virou um fato político de grande relevância dentro do processo de redemocratização do Brasil”. Segundo ele, em reconhecimento, na ocasião, uma das turmas de formandos de Medicina teve o sindicato como patrono.

Andréa Donato iniciou sua apresentação lamentando que a maioria dos estudantes e dos médicos não conheçam a atuação do sindicato na defesa do trabalho médico. Esclareceu que o sindicato é apartidário, para que a instituição possa agir de forma independente, tendo sempre como prioridade a categoria que representa: “A luta do sindicato é pela continuidade de políticas de saúde e não políticas de governo, sem continuidade”, disse.

Em seguida, ela apresentou um cenário do trabalho médico, desde os tempos que a profissão era exercida de forma autônoma e o médico era respeitado e reconhecido: “Aos poucos a situação foi se transformando com a chegada do SUS, seguida pelas operadoras de planos de saúde e, posteriormente, as cooperativas médicas”

As mudanças, segundo ela, foram acompanhadas de uma desvalorização da categoria, aviltamento dos salários e subordinação em diversos níveis, inclusive a agências regulatórias como a Agência Nacional de Saúde. Em seguida, explicou os vários modelos existentes de trabalho médico.

Citando alguns números, a diretora informou que a remuneração média dos médicos não faz jus ao investimento gasto para a formação do profissional – nas escolas particulares a mensalidades estão entre R$3.500 e R$16 mil. Lembrou que, segundo pesquisa, 97% dos médicos ainda estão empregados e os 3% que não estão é porque optaram por outras carreiras, situação “privilegiada” frente às outras profissões.

Sobre o número de médicos e escolas médicas, lembrou que hoje são mais de 450 mil médicos registrados, com 30 mil médicos novos no mercado a cada ano. A previsão para 2030 é que esse número alcance 700 mil médicos. O problema, segundo ela, é a distribuição demográfica dos profissionais: 50% deles estão na região Sudeste e 50% nas capitais: “Se nada mudar nesse modelo de saúde a tendência é que haja uma saturação e o médico receba cada vez menos”, disse.

O erro médico como resultado da precarização do trabalho foi outro tema abordado por ela: “ A situação do sistema de saúde como um todo gera uma verdadeira indústria do erro médico. Em 2017, foram 26 mil processos no Brasil, sendo 3.577 em Minas Gerais. O sindicato está atualizando esses dados”, informou.

Para finalizar a diretora pediu uma reflexão dos acadêmicos sobre o futuro da profissão, lembrando que com o avanço da inteligência artificial o mercado está se reorganizando: “ A tendência é que alguns especialidades acabem e outras cresçam como a medicina genética, a do esportes e de família. Vocês devem ficar atentos na hora de escolher o caminho que tomarão”.

Completando a palestra da diretora, o advogado do Jurídico, Cristiano Pedrosa, falou sobre as formas de contratação, que passam pelo serviço público, por meio de vinculo estatutário, celetista (CLT) ou contrato temporário; o empregado celetista nos serviços privados; trabalhador autônomo; e prestação de serviços por meio de pessoas jurídicas.

Sobre a reforma trabalhista, o advogado focou especialmente a situação dos sindicatos de trabalhadores, que foram profundamente afetados com o fim da contribuição sindical obrigatória. Sob o ponto de vista do trabalhador, avaliou aspectos prejudiciais como as mudanças na relação do trabalho “autônomo” e o fim da obrigatoriedade de homologação pelos sindicatos das rescisões dos contratos de trabalho.


Para finalizar, Cristiano Pedrosa apresentou algumas conquistas do Sinmed-MG no município de Betim, como o reconhecimento pela Prefeitura da jornada de 24 horas dos médicos da urgência: “Conseguimos que o município criasse uma comissão para negociar a mudança e alterar a carga horária dos médicos de 20, para 24 horas semanais, visando receber todos os direitos e benefícios sobre as 24 horas trabalhadas”.

 Ao final, os representantes do Sinmed-MG fizeram um convite para que os acadêmicos compareçam e acompanhem as mídias sociais do sindicato para se atualizarem sobre o mercado de trabalho, convidando a todos para se filiarem. Os acadêmicos são isentos da taxa de filiação e o sindicato oferece condições especiais aos recém-formados.

Painel com gestores enfoca o SUS e situação de Betim

O segundo painel da noite abordou “O trabalho do médico no Sistema Único de Saúde, formas de contratação, Previdência e carreira”, com coordenação da professora Adriana Diniz de Deus e os palestrantes Humberto Verona e Vivian Ribeiro Alves, da diretoria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde do SUS Betim.

Os dois palestrantes se queixaram do subfinanciamento do SUS e da dívida da União e Estado com os municípios. Vivian, responsável pela diretoria, falou sobre a estrutura da Secretaria de Saúde, os diversos tipos de vínculos dos médicos na Prefeitura, remuneração e plano de carreira da categoria.

 

 Sinmed-MG, 29 de abril 2019.

Regina Perillo