FALTA DE PEDIATRAS NAS UPAS É ALARMANTE. UMA ASSEMBLEIA FOI MARCADA PARA O DIA 15 DE ABRIL, COM INDICATIVO DE PARALISAÇÃO

Cadê os pediatras, Kalil? Essa é a pergunta, ainda sem resposta, que os pediatras das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da PBH levantaram ontem, dia 4 de abril, durante reunião conduzida pelo Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, no auditório da UPA Nordeste.

 O diretor-presidente do Sinmed-MG, Fernando Mendonça, e os representantes das unidades avaliaram a situação como alarmante e gravíssima e temem o que pode acontecer com a falta de atendimento de milhares de crianças devido ao excesso de demandas e déficit de profissionais.

 As UPAs, principalmente neste período, estão lotadas e contam apenas com dois pediatras para o atendimento. Não é incomum que um só profissional precise atender toda a demanda da unidade. Alguns deles relataram que chegaram a atender mais de 40 crianças, enquanto outras crianças aguardavam lá fora. Embora ciente dos problemas, a Prefeitura não quer contratar novos profissionais.

 “Se nada for feito, é uma tragédia anunciada que pode terminar em mortes das nossas crianças”, disse uma das médicas na reunião. Segundo os presentes, as famílias não querem saber de quem é a culpa pela demora no atendimento, que muitas vezes recai no próprio médico: “A responsabilidade pela situação é da Prefeitura que não oferece condições de trabalho, mas como estamos na linha de frente acabamos sofrendo todo tipo de agressão”, revelaram.

 Após as denúncias, o Sinmed-MG convocou uma assembleia geral extraordinária dos pediatras, com indicativo de paralisação, dia 15 de abril, às 19h, no sindicato.

 



Alguns problemas relatados pelos médicos presentes:

 

• Nos últimos cinco anos, o número de atendimentos nas UPAs cresceu mais de 20%, sem respectivo aumento dos recursos humanos.

 

• Congestionamento na porta das UPAS, falta de leitos, falta de aparelhos de oxigênio e outros. Completa falta de estrutura para o usuário e pacientes.

 

• Grande pressão da população para atendimento, resultando muitas vezes em agressões físicas e verbais aos profissionais de saúde.

 

• Pediatras em constante situação de estresse e medo, pela falta de condições de trabalho (temem pela vida das crianças por falta de atendimento e ainda serem responsabilizados).

 

• Pediatras chegam a atender 40 crianças dentro da unidade, enquanto as fichas se multiplicam fora da unidade.

 

• O estado da criança vai se agravando com a demora no atendimento, o que aumenta os casos de urgência.

 

• UPAS atendem municípios vizinhos o que aumenta a demanda.

 

• Não tem teste rápido para confirmar se o paciente está com dengue ou não

 

• Segundo relatos, na última sexta-feira, dia 29 de março, 25 crianças aguardavam por uma vaga de internação na central de regulação na cidade, situação comum.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Regina Perillo