Importância do uso da bengala para reduzir fraturas em idosos

A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia está tentando convencer milhões de brasileiros a retomar um hábito de segurança que já foi muito comum entre as pessoas de mais idade, mas que se perdeu com o tempo: a importância do uso da bengala.

 Dados da Sociedade mostram que 30% dos idosos sofrem ao menos uma queda por ano e por isso, a SBOT vai desenvolver campanhas para mostrar a importância do uso da bengala para diminuir o número de fraturas.

Leia abaixo o artigo sobre o tema de autoria do Carlos César Vassalo, diretor de Comunicação e Marketing da SBOT

 



DISPOSITIVOS AUXILIARES DE MARCHA

*Carlos César Vassalo

 

Existem três tipos principais de dispositivos auxiliares de marcha (DAM), as bengalas, muletas e andadores e são usados principalmente por pessoas com problemas articulares, com alterações óssea e deficiências no equilíbrio. Os problemas com equilíbrio e mobilidade acometem mais comumente os idosos e os DAM podem ser prescritos para ampliar a base de apoio do paciente, melhorar o equilíbrio e a estabilidade, ou redistribuir o peso dos membros inferiores para ajudar a aliviar a dor nas articulações ou compensar a fraqueza muscular ou aliviar a dor no caso de uma lesão. Os objetivos do uso de DAM são melhorar a mobilidade do corpo proporcionando maior independência, reduzir a incapacidade, retardar o declínio funcional e diminuir as necessidades de cuidados pessoais.

 

Acredita-se que nos Estados Unidos da América (EUA) 6,1 milhões de pessoas locomovem-se com uso de DAM e dois terços deles tem mais de 65 anos (1).

30% das pessoas acima de 65 anos sofrem pelo menos uma queda ao ano (2) e as quedas são a sexta maior causa de morte entre os idosos (3), em média ocorrem 15.800 mortes e um milhão e 800 mil consultas hospitalares, os custos diretos com as lesões fatais e não fatais relacionados a quedas nos EUA são de 19,2 bilhões de dólares ao ano (4,5) .

 

As bengalas são normalmente prescritas para pessoas com moderada perda da mobilidade e equilíbrio, os andadores para pessoas com grande fraqueza muscular dos membros superiores e inferiores e perda acentuada do equilíbrio, as muletas são indicadas para quem tem perda mais avançada da força muscular dos membros inferiores, mas com boa musculatura dos membros superiores.

 

Somente um terço das pessoas que usam DAM recebem a prescrição correta do tipo de DAM a ser usado no dia a dia, e nas diferentes necessidades de locomoção. E esses mesmos pacientes necessitam receber o correto treinamento para o uso dos DAM.

 

BENGALAS

 

A bengala pode ajudar a redistribuir o peso de uma extremidade inferior fraca ou dolorosa (figura 1), como no caso da artrose do quadril ou joelho, e pode também melhorar a estabilidade aumentando a base de apoio (figura 2), além de fornecer informações táteis sobre o solo para melhorar o equilíbrio.

As cargas de suporte da massa corporal produzem forças verticais reacionais que são aliviadas com uso de bengala na mão contra lateral, diminuindo em até 60% a carga exercida no quadril durante o apoio do membro inferior na marcha.

 

Figura 1 – Pessoa de 80 kg apoiada com a perna direita recebe uma força aplicada de 200 kg ao membro apoiado, uma bengala na mão esquerda diminui a carga para 80 KG.

 

O aumento da base de suporte corporal é muito importante durante a troca de passos proporcionando aumento do equilíbrio.

 

Figura 2 – Bengala produz força reacional na mão aumentando o equilíbrio do corpo e aumenta a base de suporte corporal.

 

As bengalas também têm sido associados à melhora da habilidade funcional e autoconhecimento. Vários tipos de bengalas estão disponíveis elas precisam ser corretamente ajustada a altura (figura 3) e as necessidades do paciente.

 

 

 Figura 3 – O apoio da mão deve ser ao nível do grande trocânter femoral, angulação de 25 a 30º do cotovelo.

 

Tipos de bengalas

 

1- Reta ou bastão : feita de madeira sob medida ou alumínio ajustáveis, de custo menor e leve. (figura 4)

 

2- Curvas ou anguladas : feitas de aluminio ajustam a distância do apoio da mão. (figura 5)

 

 

   (Figura 4)                                                     (Figura 5)

 

3- De 4 apois - aumentam a base de suporte e permitem uma descarga de peso maior, ficam em pé sozinhas quando não utilizadas e liberam as mãos. Os apoios devem tocar o chão simultaneamente. (figura 6)

 

4- Cabeça de triplo pivot : adaptam-se aos diversos tipos de solo e piso, tem maior aderência. Ficam em pé sozinhas. (figura 7)

 

 

    (Figura 6)                                        (Figura 7)

 

Tipos de muletas

Muletas Axilares

 

Muletas axilares são geralmente baratas e propiciam andar sem apoio nos membros inferiores, porém são geralmente incômodas e difíceis de usar. O apoio incorreto destas muletas na axila pode causar compressões nervosas ou de vasos.

 

 Muletas de antebraço ou canadenses

 

Estas muletas também proporcionam a retirada do apoio do membro inferior afetado. As muletas canadenses possuem uma espécie de “algema” que permite que a mão fique livre sem retirar a muleta do antebraço. Estas muletas são geralmente menos incômodas que as axilares.

 

Tipos de andadores

Andadores melhoram a estabilidade em pacientes com fraqueza dos membros inferiores ou equilíbrio prejudicado. Eles também facilitam a melhora na mobilidade ao aumentar a base de apoio ou suportar o peso do paciente. Entretanto, andadores podem ser difíceis de manobrar e resultar em má postura e diminuição no balanço dos braços durante a marcha. Subir escadas com andadores é uma tarefa difícil e um ponto fraco deste dispositivo.

 

Andadores tradicionais ou standard.

 

O andador tradicional é o andador mais estável. Porém isto resulta em um caminhar lento desde que o paciente tem que elevar o andador completamente do chão a cada passo. Isto pode ser

um desafio para idosos com pouca força nos membros superiores.

 

Andadores com rodas frontais

 

Andadores com rodas dianteiras são melhores para pacientes com dificuldade

para levantar um andador padrão ou que caminham rápido. As rodas permitem ao

paciente manter um padrão de marcha mais perto do normal do que com um

andador tradicional, apesar de as rodas reduzirem a estabilidade.

Andadores com quatro rodas

 

 Os andadores de quatro rodas são úteis para pacientes mais ativos que não precisariam de andador para apoiar o peso. Apesar de ser fácil empurrar estes dispositivos, eles não são apropriados para pacientes com problemas cognitivos ou de equilíbrio significativos, tendo em vista que poderiam rolar inesperadamente e resultar em queda. É comum que estes andadores venham com assentos, úteis para alguns pacientes que necessitam parar com frequência para sentar e descansar.

 

REFERÊNCIAS

 

1. Kaye HS, Kang T, LaPlante MP. Mobility device use in the United States. Disability statistics report no. 14. Wash- ington, DC: National Institute on Disability and Rehabili- tation Research, U.S. Department of Education; 2000.

2. Prudham D, Evans JG. Factors associated with falls in the elderly: a community study. Age Ageing 1981; 10:141-6

3. Baker SP, Harvey AH. Fall injuries in the elderly. Clin Geriatr Med 1985; 1:501-12

4. Centers for Disease Control and Prevention. Cost of falls among older adults. 2009. Available at: http://www.cdc.gov/HomeandRecreationalSafety/Falls/ fallcost.html. Accessed November 2, 2010.

5. Stevens JA, Thomas K, Teh L, Greenspan AI. Unintentional fall injuries associ- ated with walkers and canes in older adults treated in U.S. emergency departments. J Am Geriatr Soc 2009;57:1464e1469.

 

 

 



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