Greve por tempo indeterminado no HPS João XXIII



Os médicos da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, Fhemig, decidiram ontem por unanimidade, dia 5 de junho, em Assembleia Geral Extraordinária, realizada pelo Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, retomarem o estado de greve. A paralisação havia sido suspensa por uma liminar, em fevereiro último, que impediu o movimento paredista e que foi alvo de recurso pelo jurídico do SINMED-MG, julgado procedente pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que extinguiu a ação e derrubou a referida liminar. Sem terem suas reivindicações atendidas, a decisão é um protesto contra as péssimas condições de trabalho e falta de estrutura na rede para atendimento à população, situação que piora a cada dia.

Além dos graves problemas que comprometem à assistência, como falta de equipamentos essenciais como tomógrafo e falta de leitos, os médicos estão recebendo seus salários com atraso e parcelados. O pagamento da última parcela de abril só aconteceu no início de junho.

Na assembleia foi deliberado que o movimento paredista iniciará na próxima terça-feira, dia 12 de junho, às 7 horas da manhã no Hospital João XXIII. O maior hospital de traumas do Estado vive hoje sua pior crise (ver relatório com reivindicações).

O Hospital João XXIII atenderá as urgências e emergências, após triagem que será realizada pelos próprios médicos obedecendo um protocolo clínico. Os pacientes que não se enquadrarem nos critérios de urgência e emergência serão encaminhados para outras unidades da rede pública.

Os médicos também decidiram por continuar não assinando as folhas de produtividade, pela não emissão de Autorização de Internação Hospital (AIH), não emissão de solicitações via guia de autorização de procedimentos de alto custo para realização de exames e procedimentos dentro do Hospital.

Segundo o Sinmed-MG, as reivindicações dos médicos do Estado estão sendo ignoradas pelo Governo, como as mudanças no Plano de Carreira, melhoria da estrutura das unidades de saúde do Estado e pagamentos em dia. No João XXIII, assim como nas outras unidades do Estado, a situação está insuportável. Diariamente, os médicos têm que vencer desafios e enfrentar situações que colocam em risco o seu trabalho e a assistência à população.

No dia 19 de junho, o Sindicato dos Médicos realiza nova assembleia geral para avaliar o movimento e definir sobre a adesão de novas unidades às paralisações, pois o problema de sucateamento atinge toda a rede do Estado.

Importante:

O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) informa que frente às novas decisões do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e em total acatamento da liminar, emitida em 29 de dezembro, o movimento paredista obedecerá os parâmetros propostos, a saber: atendimento de 100% das urgências e emergências, 100% das atividades no CTI e UTI, 100% do atendimento às mulheres grávidas de alto risco, vedando qualquer não atendimento às mulheres no pré-natal, 70% dos atendimentos para os pacientes já internados ou em tratamento ambulatorial e 30% para os demais serviços prestados pela rede pública da Fhemig.