Secretário de saúde anuncia que médicos de Uberlândia não terão reajuste de salário

03/04/2009

Mônica Salomão

 

O secretário municipal de saúde, Gladstone Rodrigues da Cunha, voltou a se reunir na última quarta-feira, 1º de abril, com representantes do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) e com profissionais de diferentes unidades de atendimento de Uberlândia para retomar as discussões acerca das reivindicações da categoria. Após argumentar que nos últimos meses “houve queda expressiva na arrecadação do município e que, por causa da crise financeira, a administração não sabe quando a situação vai se normalizar”, o gestor anunciou que não há previsão de aumento de salário para os médicos.   O secretário também informou que não está descartada a possibilidade da pasta perder R$ 28 milhões do orçamento. “Temos consciência de que o salário dos médicos está defasado e é justo que haja reajuste, mas estamos temerosos em relação ao cenário econômico deste ano”, diz.   Quanto às demais reivindicações contidas na proposta de acordo coletivo, que visa promover a uniformidade das condições de trabalho e remuneração dos médicos contratados por administradores distintos – como definição da data-base; pagamento do adicional de insalubridade; e criação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos -, Cunha propôs realizar reuniões específicas para tratar cada um dos pleitos.   Durante a reunião, a comissão de mobilização do movimento entregou ao secretário de saúde um documento em que reafirma as convicções da categoria médica de que a administração deve realizar concurso e, a partir da nomeação dos servidores, assumir a gestão plena do serviço público de saúde de Uberlândia.   O próximo ponto de pauta a ser discutido com a Secretaria é a criação do PCCV e a reunião foi agendada para a próxima terça-feira, dia 8, às 18h30. Na quarta-feira (8), às 19h, a categoria volta a se reunir na Sociedade Médica em assembléia geral extraordinária, com indicativo de paralisação, para avaliar a reunião com o gestor e deliberar as próximas ações da campanha.  
Sinmed-MG pede apoio dos

 vereadores em sessão plenária
  O presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, Cristiano Gonzaga da Matta Machado, e a médica Juliana Markus, representante da comissão de mobilização, também estiveram na Câmara Municipal de Uberlândia na quarta-feira (1°) para apresentar aos vereadores os problemas enfrentados pela categoria e pedir apoio na luta pela realização de concurso para o ingresso no serviço público.   “A Constituição define que saúde é dever do Estado e que o ingresso ao serviço público deve acontecer por meio de aprovação em concurso. Com base nesses preceitos, vamos continuar na luta para colocar fim à terceirização”, afirma Matta Machado. Segundo ele, a categoria continua aberta a negociações no intuito de que os médicos tenham condições adequadas para trabalhar, recebam dignamente e possam oferecer à população um atendimento de qualidade.   Juliana Markus aproveitou sua fala para expor que mesmo em momentos de crise financeira a Saúde necessita de investimentos, cada vez mais urgentes. “É nosso dever alertar os nossos pacientes para o fato de que o modelo de gestão utilizado pela administração de Uberlândia coloca em risco o atendimento que prestamos a eles. Enquanto os gestores não oferecerem à categoria um salário justo, continuaremos enfrentando o principal problema referente às condições de trabalho: a falta de médicos para compor as equipes”, desabafa.   Paralisação   Segundo informações da comissão de mobilização, mais de 90% dos médicos aderiram à paralisação de 24 horas que ocorreu das 7 horas do dia 30, às 7 horas do dia 31 de março. “Com exceção da pressão aplicada por alguns empregadores no intuito de coagir os colegas e esvaziar o movimento, a paralisação transcorreu de forma tranqüila e ainda recebemos o apoio de vários pacientes que se disseram solidários com nossas reivindicações”, conta a médica Juliana Markus.
  Fonte: Assessoria de Comunicação Sinmed-MG - 03/04/2009