Médicos de Uberlândia vão fazer paralisação de 72 horas e podem entrar com pedido de demissão coletiva

24/04/2009

Mônica Salomão

 

Médicos da rede pública de Uberlândia, sob administração da Fundação Maçônica Manoel dos Santos e da Missão Sal da Terra, reunidos durante a quinta assembléia da categoria neste ano e ainda sem resposta concreta sobre as reivindicações da campanha 2009 por melhores condições de trabalho e salário, decidiram realizar nova paralisação, agora de 72 horas. Das 7horas do dia 22, quarta-feira, às 7horas do dia 25 de abril, sábado, somente os casos de urgência e emergência serão atendidos.   Como no protesto anterior (30/03), nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) e no Programa Saúde da Família (PSF) não haverá atendimento médico. Os médicos desses serviços vão se organizar em equipes na entrada das Unidades de Atendimento Integrado (UAI’s) para fazer a triagem dos pacientes e encaminhar para consulta apenas os casos mais graves. Durante a paralisação, os profissionais voltam a distribuir panfletos à população para pedir apoio e explicar as razões do movimento reivindicatório.   Ainda durante a assembléia realizada em 8 de abril, os médicos aprovaram a proposta de entrar com pedido de demissão coletiva. Caso não haja acordo entre os gestores e a categoria, os profissionais vão assinar cartas de pedido de demissão e deixá-las sob a guarda do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), que será o responsável por entregá-las à Secretaria Municipal de Saúde mediante aprovação em assembléia geral.   “Os problemas que acometem a saúde pública em Uberlândia aumentam a cada dia. Os médicos não têm estabilidade profissional nem condições adequadas de trabalho para atender os pacientes, isso sem contar a defasagem salarial. Já fomos à Câmara Municipal e participamos de várias reuniões com o secretário de saúde, mas até o momento a única resposta concreta que obtivemos é a de que não haverá reajuste salarial. Se não recebermos uma contraproposta do poder público não vemos alternativa senão o pedido de demissão coletiva”, conta a médica e representante da comissão de mobilização Juliana Markus.   Segundo Juliana, a categoria continua aberta às negociações e vai tentar agendar reuniões com o prefeito, vereadores, Promotoria de Saúde, Procuradoria do Trabalho, Conselho Regional de Medicina e Sociedade Médica no intuito de ampliar o debate sobre a administração da saúde pública no município e buscar medidas a curto, médio e longo prazo para que os médicos tenham condições dignas para trabalhar e atender a população. “Nossa última paralisação (30/03) contou com 94% de adesão da categoria, o que demonstra que estamos mobilizados e dispostos a lutar por um serviço de qualidade”, avalia.  
Reivindicações
  Os médicos reivindicam, para efetivos e contratados, a realização de concurso público; definição da data-base; reajuste do salário mínimo profissional para R$ 8.239,24 - valor defendido pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam); pagamento do adicional de insalubridade; criação do plano de cargos, carreira e vencimentos como forma de fixar os profissionais na rede; e reuniões bimestrais entre gestor e sindicato para acompanhamento do acordo.
 

Fonte: Assessoria de Comunicação Sinmed-MG - 13/04/2009