PEDIATRAS DENUNCIAM SITUAÇÃO DE CALAMIDADE NAS UNIDADES DE PRONTO ATENDIMENTO DA CAPITAL

17/04/2019

Médicos pediatras das Unidades de Pronto Atendimento da Prefeitura de Belo Horizonte e do Hospital Odilon Behrens se reuniram no dia 15 de abril, em Assembleia Geral Extraordinária no Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Av. do Contorno – 4.999), para discutir o estado de calamidade que as UPAS estão vivendo, colocando em risco a vida das crianças e dos profissionais que ali atuam.

As denúncias são inúmeras e alarmantes. Os médicos estão trabalhando sob enorme pressão e estresse. Devido ao grande número de pacientes – que triplica de março a junho devido a problemas respiratórios e com a dengue – é impossível, segundo eles, atender todos que chegam, sendo priorizadas as urgências e emergências (fichas vermelhas, laranja e amarela). Com isso em algumas unidades o atendimento das fichas azuis e verdes (casos sem gravidade) está demorando até 10 horas, deixando os familiares irritados e as crianças com risco de piorarem.

Os médicos definiram a situação como “uma bomba prestes a explodir”, se a Prefeitura não tomar providências urgentes.

Ao final da assembleia, os médicos, em consideração à população que já está sofrendo muito com a desassistência, resolveram não paralisar neste momento. O sindicato vai buscar apoio no Ministério Público, Juizado da Criança e do Adolescente, Conselho Regional de Medicina, Sociedade Mineira de Pediatria, Conselho Municipal, para que todos encampem a luta pela melhoria das condições de atendimento às crianças nos serviços de urgência da capital.

Após o primeiro encontro dos pediatras, dia 4 de abril na UPA Nordeste,  e a repercussão na mídia, a Prefeitura anunciou a contratação de 87 novos profissionais para as UPAs, mas sem dar detalhes. O número é considerado insuficiente e não resolve os vários problemas que os médicos e demais funcionários da saúde como os enfermeiros, enfrentam no dia a dia, conforme relatado abaixo.

Uma nova assembleia foi marcada para o dia 29 de abril, às 19 horas, no Sinmed-MG também com indicativo de paralisação.



Alguns problemas relatados pelos pediatras na Assembleia do dia 15 de abril

 •"O movimento de crianças nas UPAs triplicou desde março devido aos casos de bronquiolite e dengue. As filas de espera estão gigantes, a demora no atendimento das fichas verdes (menor gravidade) está chegando a 10 horas";

• "Faltam medicamentos e aparelhos de oxigênio, entre outros";

• "Faltam leitos de retaguarda";

• "Estamos muito temerosos que possam sofrer violência por parte da população e até de policiais";

• " Há uma verdadeira invasão das UPAS de madrugada que é um horário crítico";

• "Faltam técnicos de enfermagem para fazer os procedimentos";

• " Nas UPAS não têm laboratórios para exames e nem teste rápido para dengue";

• "Nós médicos estamos extremamente estressados com a situação";

• " Em 25 anos de pediatria, nunca viu um ano como esse";

• " As UPAs se tornaram um verdadeiro  campo de guerra;

• " A situação é de calamidade pública";

•  " O serviço de urgência está sucateado";

• " Estamos nos sentindo de pés e mãos atados”;

• " Crianças esperando nas filas, enfermarias lotadas com banheiras sendo usadas como berços, duas crianças juntas na mesma cama por falta de leitos, pais dormindo no chão ou na cama com as crianças. Faltam fraldas e mamadeiras";

• " Há fechamentos de hospitais, diminuindo leitos";

• "Nas UPAs Nordeste, Pampulha e Leste só têm dois pediatras por plantão";

• " Existe uma média de 50 fichas verde em espera nas UPAs por mais de 7 horas";

• " Eu já pego o plantão com 12, 15 crianças para avaliar e com isso demora para atender a porta, e isso vai em progressão geométrica";

• "Mesmo nas UPAs que têm três pediatras, como a Barreiro, o número é insuficiente para atender uma comunidade de mais de 210 mil habitantes";

• " Bebê de 11 dias ficou três dias aguardando vaga";

• "Crianças de CTI sendo tratados na enfermaria, por falta de leitos";

• " Há necessidade de orientar a população sobre quando procurar a UPA";

• " Temos muita preocupação com a situação atual e tememos pela vida das crianças e as consequências que possam sofrer por não terem condições de atender (têm medo de perder uma criança por falta de atendimento e ainda serem responsabilizados)";

• “É uma tragédia anunciada, e assistimos a tudo sem poder fazer nada”;

• " A culpa é do governo e não de nós médicos".

 

 

 

Regina Perillo