SEM CONDIÇÕES DE TRABALHO, MÉDICOS DA FHEMIG RETOMAM MOVIMENTO. HOSPITAL JOÃO XXIII SERÁ O PRIMEIRO A REDUZIR ATENDIMENTOS, A PARTIR DE 12/JUNHO

11/06/2018



SEM CONDIÇÕES DE TRABALHO, MÉDICOS DA FHEMIG RETOMAM MOVIMENTO. HOSPITAL JOÃO XXIII SERÁ O PRIMEIRO A REDUZIR ATENDIMENTOS, A PARTIR DE 12/JUNHO

Os médicos da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, Fhemig, decidiram ontem por unanimidade, dia 5 de junho, em Assembleia Geral Extraordinária, realizada pelo Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, retomarem o estado de greve. A paralisação havia sido suspensa por uma liminar, em fevereiro último, que impediu o movimento paredista e que foi alvo de recurso pelo jurídico do SINMED-MG, julgado procedente pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que extinguiu a ação e derrubou a referida liminar. Sem terem suas reivindicações atendidas, a decisão é um protesto contra as péssimas condições de trabalho e falta de estrutura na rede para atendimento à população, situação que piora a cada dia.

Além dos graves problemas que comprometem à assistência, como falta de equipamentos essenciais como tomógrafo e falta de leitos, os médicos estão recebendo seus salários com atraso e parcelados. O pagamento da última parcela de abril só aconteceu no início de junho.

Na assembleia foi deliberado que o movimento paredista iniciará na próxima terça-feira, dia 12 de junho, às 7 horas da manhã no Hospital João XXIII. O maior hospital de traumas do Estado vive hoje sua pior crise (ver relatório com reivindicações).

O Hospital João XXIII atenderá as urgências e emergências, após triagem que será realizada pelos próprios médicos obedecendo um protocolo clínico. Os pacientes que não se enquadrarem nos critérios de urgência e emergência serão encaminhados para outras unidades da rede pública.

Segundo o Sinmed-MG, as reivindicações dos médicos do Estado estão sendo ignoradas pelo Governo, como as mudanças no Plano de Carreira, melhoria da estrutura das unidades de saúde do Estado e pagamentos em dia. No João XXIII, assim como nas outras unidades do Estado, a situação está insuportável. Diariamente, os médicos têm que vencer desafios e enfrentar situações que colocam em risco o seu trabalho e a assistência à população.

No dia 19 de junho, o Sindicato dos Médicos realiza nova assembleia geral para avaliar o movimento e definir sobre a adesão de novas unidades às paralisações, pois o problema de sucateamento atinge toda a rede do Estado.

Importante:

O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) informa que frente às novas decisões do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e em total acatamento da liminar, emitida em 29 de dezembro, o movimento paredista obedecerá os parâmetros propostos, a saber: atendimento de 100% das urgências e emergências, 100% das atividades no CTI e UTI, 100% do atendimento às mulheres grávidas de alto risco, vedando qualquer não atendimento às mulheres no pré-natal, 70% dos atendimentos para os pacientes já internados ou em tratamento ambulatorial e 30% para os demais serviços prestados pela rede pública da Fhemig.

 

MÉDICOS DO HOSPITAL JOÃO XXIII BUSCAM MELHORIA DA ASSISTÊNCIA. HOSPITAL VIVE A SUA MAIOR CRISE

Em documento assinado pelo diretor do Corpo Clínico do Hospital João XXIII Dr. Marcelo Gomes Girundi , e pelo vice-diretor, Dr. Marcus Vinícius Mourão Mafra Diretor, e elaborado em conjunto com os médicos do Hospital, foram levantadas as seguintes reivindicações:

1. Melhoria das condições técnicas, operacionais e estruturais do hospital, para garantir uma assistência adequada aos pacientes: a. - conserto e manutenção dos elevadores, ar condicionados dos ambulatórios, centro cirúrgico e UTI, iluminação adequada e mobiliário compatível com o atendimento; b. - solução dos tomógrafos (01 ainda não funcionante até a data de hoje, e 01 com paralisações frequentes), evitando-se seu não funcionamento, retardo do diagnóstico e deslocamento dos pacientes; c. - pagamento em dia dos fornecedores, evitando-se a falta de medicamentos, materiais, equipamentos e demais insumos;

2. Reabertura dos leitos fechados por falta de profissionais e estrutura adequada. (leitos da UTI, principalmente). Contratação imediata de profissionais para funcionamento pleno dos setores do hospital.

3. Conservação e manutenção compatíveis dos ambientes de estar e descanso médico: a. - controle da poluição sonora originária de caldeiras, máquinas e outros equipamentos; (barulho excessivo ao lado do quarto de repouso dos médicos e profissionais da enfermagem) b. - iluminação apropriada dos ambientes; c. - ar condicionado em todos os alojamentos; d. - camas, roupas de cama, travesseiros e toalhas trocadas periodicamente; e. - banheiros em condições de uso, sem vazamentos de esgotos, com descargas, torneiras, sabão e papel; f. - água gelada, pão e café; (padronizado e em quantidade e qualidade aceitáveis para a equipe médica) g. - cadeiras, sofás e mobiliário novo; h. - mesas e ambiente de estudo e atualização, com tomadas e conexões; i. - uma faxineira de plantão nos alojamentos por períodos de 12 horas para garantir limpeza e higiene corretas.

4. Roupas privativas para uso médico nos diversos setores do hospital, em quantidade suficiente.

5. Atualização do plano de cargos e salários com pagamentos dos retroativos devidos. (paralisação das reuniões por parte do governo do Estado de Minas Gerais)

6. Biometria com impressão de comprovante de registro de ponto para o servidor.

7. Reposição imediata dos profissionais faltantes em todas as equipes. Contratação imediata de profissionais médicos para reposição dos desfalques já existentes no Corpo Clínico, nas diversas especialidades médicas, através, se necessário, de autorização dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado de Minas Gerais para tal reposição.

8. Contratação imediata de dois médicos para exercício do referenciamento dos paciente não urgentes, para cada plantão de 12 horas

9. Retorno imediato do quinquênio, com pagamento imediato do retroativo desde a posse do servidor que não possui este benefício.

10. Novo cálculo da Ajuda de custo e pagamento igualitário para todos os profissionais médicos, sem distinção dos períodos da carga horária trabalhada (diarista, plantonista, etc.). Incorporação deste ao salário base dos servidores, no prazo de 6 meses. Se necessário, com autorização dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado de Minas Gerais para tal incorporação.

11. Pagamento integral dos salários, sem parcelamento, no quinto dia útil do mês, já de imediato a ser realizado no 5° dia útil de Junho de 2018

12. Pagamento do 13º salário dentro do próprio ano.

13. Resgate da missão e papel assistencial do Hospital João XXIII dentro da rede de saúde, sendo discutida essa missão com o Corpo Clínico do Hospital João XXIII (equipe experiente e de referência para a América Latina)

14. Cálculo imediato do saldo de férias e direito imediato ao gozo destas férias atrasadas ou o seu reembolso financeiro, a critério do servidor.

15. Reconhecimento, respeito e valorização do Regimento Interno do Corpo Clínico.

16. Publicação no Diário Oficial do Reconhecimento do cargo de Diretor Clínico e liberação de 50% de sua carga horária para exercício de suas funções diretórias, conforme procedido até 2016 e em conformidade com o parecer e recomendação do CRMMG.