MÉDICOS DA FHEMIG FAZEM ASSEMBLEIA E DENUNCIAM GRAVE SITUAÇÃO DOS HOSPITAIS DA REDE

03/10/2017

Médicos de diversas unidades da Fundação Hospitalar de Minas Gerais - Fhemig participaram, dia 27 de setembro, de Assembleia Geral Extraordinária no Sinmed-MG. Conduzida pelos diretores Ariete de Araújo; Flávia Loureiro Catão e Antônio Sérvulo, com a presença do advogado Cristiano Pedrosa, a assembleia discutiu as principais reivindicações da categoria.

 Ficou evidente a insatisfação dos profissionais em relação a vários pontos da atual gestão, entre eles a questão do parcelamento e atraso dos vencimentos, que vem ocorrendo há quase dois anos.

Durante a AGE também houve várias queixas dos profissionais em relação às más condições de trabalho que acabam interferindo na qualidade dos serviços prestados à população.

 Os diretores informaram que foram chamados para uma reunião com os gestores um dia antes da assembleia, inclusive com a presença do presidente da Fhemig, Tárcisio Dayrell. No encontro, eles colocaram a situação da Fundação, entre elas a falta de governabilidade financeira da Fundação, que não tem caixa próprio; uma dívida enorme a saldar, ao mesmo tempo que tem vários credores em atraso, entre eles a Prefeitura de Belo Horizonte. Sobre a questão da unidade de Ortopedia do Galba Veloso, os gestores disseram que o fechamento é uma determinação da Justiça, mas que estão fazendo um estudo para avaliar a situação e transferência dos pacientes.

 Sobre a questão dos pagamentos a direção da Fhemig disse que a Secretaria da Fazendo assumiu o compromisso de regularizá-los, mas sem garantia de acabar com os parcelamentos.

 Segundo os diretores, o sindicato colocou as outras reivindicações na reunião como a questão da regulamentação do sobreaviso, do vale refeição, o atraso nas promoções e progressões e a revisão do plano de carreira.

 Em relação à revisão do plano de carreira, informaram que a proposta do sindicato foi aprovada em assembleia da categoria e já enviada para o Estado, contemplando, entre outros pontos:

 


-mudança na redação do nível 6. A negociação previa que o médico com quaisquer duas especialidades teria direito ao nível 6. Na redação final o enquadramento no nível 6 está vinculando ao pré-requisito e ainda aquele que está vigente de acordo com a Comissão Nacional de Residência Médica. O sindicato propôs que: sejam quaisquer duas especialidades desde que estejam registradas no CRM; o reconhecimento da área de atuação da mesma forma como uma especialidade; ou uma especialidade e um strito sensu.

 

- Possibilidade de reduzir ou estender a jornada. Reconhecimento para os médicos que fazem 40 horas, com dedicação exclusiva.

 

Sobre o assunto do parcelamento, o advogado Cristiano Pedrosa informou que o Sinmed-MG impetrou um mandato de segurança no Tribunal de Justiça para que o Estado não parcelasse os vencimentos e começasse a pagar até o quinto dia útil.

 

Como os desembargadores julgaram o mandato improcedente, o sindicato entrou com recurso no Superior Tribunal de Justiça e estuda agora a possibilidade de tentar uma medida liminar, para agilizar o processo. Inconformados com a situação, vários médicos se queixaram dos transtornos financeiros causados pelo parcelamento.

 

Na questão de condições de trabalho, os médicos disseram que é importante comunicar à população e à mídia o verdadeiro caos da unidades, impedindo que os médicos realizem um trabalho de qualidade e trazendo sofrimento para os pacientes. “A população precisa saber quem são os responsáveis por essa situação. Não somos nós servidores da saúde, mas os gestores”.



Apontaram, entre outros problemas:

 - sucateamento dos hospitais da rede com situações como mofo em parede, móveis quebrados, banheiros sem condição nenhuma de uso, falta de equipamentos, falta de insumo para fazer exame de laboratórios.

- preocupação com os pacientes, que enfrentam filas para marcação de consulta, realização de exames, procedimentos e cirurgias. Muitas vezes uma simples consulta demora mais de um anos, e procedimentos mais de dois, agravando a situação do paciente. Pacientes sendo atendidos no corredor, sem a menor condição.

  

A situação preocupante do Hospital Pronto Socorro João XXIII levou os médicos a se reunirem e elaborarem uma pauta própria: “As reivindicações vão muito além da questão salarial. O João XXIII está num processo de sucateamento impressionante, numa piora progressiva, a olhos vistos”, denunciou um médico.

Entre as demandas desses profissionais estão: aumento do abono de emergência em 100%, pagamento integral no quinto dia útil, promoção e progressão na carreira em tempo adequado, incorporação do adicional do desempenho, aumento da gratificação de risco à saúde, estruturação das condições físicas do hospital, estruturação das condições de trabalho para o médico, adequação do número de médicos em cada equipe – equipe completas – e definição do papel do João XXIII.

 

A partir da assembleia o sindicato vai encaminhar um ofício aos gestores, com cópia para o Ministério Público, com o prazo de 15 dias para o retorno. Uma nova assembleia será marcada para novas encaminhamentos .

 

MÉDICOS DA REDE FHEMIG: enviem suas denúncias de situações de precariedade no trabalho, com fotos e relatos, para campanhas@sinmedmg.org.br.

 

 

Regina Perillo